Situações de estresse podem agravar ou desenvolver transtornos obsessivos


O momento pede que hábitos de higiene sejam intensificados e que recebam mais atenção. Entretanto, é preciso ressaltar que existe uma grande diferença entre práticas saudáveis e aquelas ditas como compulsivas. Lavar as mãos após encostar em materiais sujos ou higienizar as compras do mercado são ações importantes, mas é preciso atenção para não se tornar um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), caracterizado por pensamentos e medos que levam a comportamentos compulsivos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2% da população mundial é diagnosticada com TOC e, uma das pautas importantes nesse momento é que durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, os quadros clínicos e os sintomas dessas pessoas podem se agravar. O professor do curso de psicologia do Centro Universitário UNA, Ivando Nonato, acredita que o primeiro passo é a conscientização. “É importante esclarecer que TOC não é o que popularmente as pessoas chamam de mania. É um transtorno sério e que pede um tratamento especializado como qualquer outra doença”, pontua.
De acordo com Ivando, situações de estresse e que “fogem” do normal tendem a afetar diretamente pessoas com TOC. Em especial o momento que vivemos, em que uma das principais medidas de prevenção contra a Covid-19 é a higienização das mãos, alimentos e superfícies, pacientes com TOC relacionado à limpeza podem ser os mais afetados. “Como são pessoas que já tinham uma compulsão por manter a si mesmo e ao lugar em que estão extremamente limpos, com esta recomendação geral, os pacientes intensificam ainda mais os seus cuidados em uma tentativa de se me manterem seguros e também de conservarem a sua rotina”, explica.
Além da sobrecarga mental, que pode inclusive prejudicar as atividades do dia a dia, o agravamento da compulsão pode trazer outros problemas físicos para a pessoa, de diferentes maneiras. “Com o uso em excesso de produtos de limpeza, a pessoa pode desenvolver problemas como alergias e feridas nas mãos ou, como alguns pacientes já apresentam, a perda da digital”.

Não tenho TOC, mas posso desenvolver?
Segundo o professor, o risco de se desenvolver um TOC durante a pandemia é maior. Ele explica que mesmo sem nenhum histórico familiar, apenas a atual situação pode ser responsável pelo desenvolvimento da doença. “Em outras pandemias, como a da SARS, notamos um aumento representativo nos casos diagnosticados. Uma grande influência é que momentos assim estimulam certos comportamentos repetitivos, por exemplo a lavagem das mãos, ações que podem se agravar e contribuir para o desenvolvimento de um transtorno compulsivo”, esclarece.
O especialista salienta que em ambos os casos, o desenvolvimento ou agravamento do transtorno, é importante procurar por ajuda especializada, que pode ser um médico ou psicólogo. Geralmente o tratamento é feito através de terapias e em casos mais graves o médico pode prescrever medicamentos. Para passar por estes momentos de forma mais tranquila, é necessário ser flexível, entender e aceitar as fatalidades e os acontecimentos inevitáveis da vida.

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