quinta-feira, 21 de maio de 2020

Obesidade: uma doença que atinge cerca de 20% da população brasileira


Pesquisa do Ministério da Saúde aponta que um em cada cinco brasileiros é obeso. Projeção da OMS é que existirão mais de 700 milhões obesos no mundo em 2025. 

A luta contra a balança há muito tempo deixou de ser considerada desleixo ou preguiça. A obesidade tem se tornado um dos principais fatores para o surgimento de outras enfermidades crônicas, como por exemplo, problemas cardiovasculares e diabetes. 
Para alertar sobre os perigos que a obesidade pode causar, o dia 23 de maio passou a ser conhecido como o Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade. O Santa Genoveva Complexo Hospitalar compreende a data como um momento para conscientizar sobre os riscos para a saúde em manter uma alimentação desregrada e com ingestão calórica excessiva.     
Dados da  Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel)  de 2018, realizada pelo Ministério da Saúde, apontam que mais da metade da população do país está acima do peso. Já a obesidade atinge um a cada cinco brasileiros. A porcentagem de obesos subiu de 11,8% em 2006, para 19,8% em 2018.   
Nessa pesquisa, os números também apontaram que o crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. A pesquisa da Vigitel é realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, por meio de entrevistas telefônicas. 
A obesidade é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos maiores problemas de saúde pública do mundo.  A projeção  é que, em 2025, existam cerca de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos no planeta.   
Segundo o médico Nutrólogo e coordenador clínico da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional do Santa Genoveva Complexo Hospitalar, Cláudio Barbosa, a alimentação exagerada pode trazer transtornos digestivos e metabólicos, como a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, dentre outros problemas de saúde.   
"O excesso de peso já atinge mais da metade da população e, a partir dele, podem desencadeadas doenças graves. Por isso, o sobrepeso necessita de tratamento. Se não tratado, pode evoluir para complicações mais sérias com o passar do tempo", pondera. 
De acordo com o Nutrólogo, a obesidade aumenta vertiginosamente na população em decorrência de um estilo de vida obesogênico. "Isso se dá porque come-se em qualquer ocasião, em porções cada vez mais calóricas e a correria tira o tempo para os exercícios. A economia moderna tem na gastronomia um dos seus pilares, e o apelo para o seu consumo é forte na população", completa. 
Cláudio Barbosa conta que a compulsão alimentar tem maior prevalência na fase adulta, em especial em pacientes que buscam tratamento para emagrecer. "O simples hábito de comer em excesso pode vir a se tornar uma doença, conhecida como  Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica. O tratamento é feito com atendimento médico, nutricional e psicológico. É importante frisar que, quando chega a se tornar uma doença, ela não se cura sozinha e não melhora apenas com a força de vontade. É preciso acompanhamento profissional especializado", salienta o Nutrólogo. 
Engana-se quem pensa que a gula e a compulsão alimentar estão associadas apenas ao sobrepeso e à obesidade. Para o  Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação e nutrição inadequadas são classificadas como a segunda maior causa de câncer que pode ser prevenida. Elas são responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes pela doença. 
Ainda, de acordo com o INCA, para cada 100 pessoas com câncer, 33 casos poderiam ser evitados, caso a população adotasse uma alimentação saudável e colocasse a atividade física na rotina para manter o peso adequado. 
Cláudio Barbosa explica que antes de manter hábitos saudáveis de alimentação, é preciso estabelecer uma relação positiva com a comida, sem culpa e com alegria. "É claro que precisamos cuidar, também, da qualidade nutricional e da quantidade ingerida. O alimento não pode ser o vilão, nós necessitamos dele para ter saúde", finaliza o nutrólogo. 

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Oleh

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