quinta-feira, 19 de março de 2020

Covid-19 e a importância do planejamento financeiro. O que fazer durante a crise?


Especialista em finanças dá dicas de como reorganizar o orçamento familiar e empresarial e orienta ainda sobre resgate precoce de investimentos.

Não há como escapar dos impactos financeiros causados pela pandemia do novo coronavírus, o Covid-19. Talvez seja necessário botar a mão naquela tão suada reserva financeira.
Conhecida como Reserva de Emergência, a Reserva Financeira (ou de Liquidez) é um dinheiro que todos nós precisamos ter para ser usado em casos de imprevistos (como um desemprego, um acidente de carro, um furto, um tratamento), ou mesmo oportunidades (uma transição de carreira, um curso de capacitação, um desconto relevante na compra de um bem à vista). Ela permite passarmos por momentos de crises e instabilidades, sem muito impacto financeiro no nosso dia a dia e necessidades básicas, mantendo nossas moradias, acesso a serviços essenciais, alimentação, etc. 
Segundo a especialista em planejamento financeiro, Karoline Cinti, o recomendado para a reserva é um valor equivalente de 6 a 12 meses os gastos mensais, podendo ser maior ou menor dependendo do contexto profissional e familiar. 
Questionada sobre como a paralisação de várias atividades por causa do Covid-19 irá impactar o orçamento das famílias e dos empreendedores, Karoline afirme que a única certeza que temos em um planejamento é que as coisas não acontecerão da maneira como prevemos. 
“Veja o que está ocorrendo no mundo com o caso do novo coronavírus. Escolas estão paralisando suas atividades, viagens sendo canceladas e a recomendação é para que as pessoas se isolem em casa. Isso impacta diretamente o consumo, a produção e, consequentemente, a geração de renda. Alguns poucos setores da economia podem ter suas vendas elevadas com o cenário, mas o orçamento da maioria das famílias e empreendedores serão afetados com a diminuição de receitas e manutenção de grande parte das despesas. Não se consegue mudar estruturas fixas no curtíssimo prazo. Mesmo que os governos estejam se mobilizando para tomar medidas que diminuam seus efeitos, elas não afetam a todos da mesma forma e ao mesmo tempo. Para as famílias e empresas que possuem orçamentos mais flexíveis, ou que estão com suas reservas financeiras e capital de giro em ordem, isso ajudará nesse período”, salienta.

Administrando a crise…
Segundo a especialista em finanças, o importante agora é administrar a crise e não tomar grandes decisões ou agir de forma precipitada e por impulso. 
“O ideal é as pessoas e famílias realizarem e revisitarem seu planejamento financeiro pelo próximo trimestre, pelo menos. De acordo com a origem das suas rendas, se remunerações fixas ou baseadas em comissão, se contratos permanentes ou por produção, etc., estimarem se haverá queda nas receitas e de quanto. A partir daí, readequarem as despesas e ter um controle mais rigoroso nos gastos. As empresas precisarão ainda usar a criatividade para adaptarem a entrega dos seus serviços e produtos, sem colocar a saúde dos empreendedores e colaboradores em risco. Procurar renegociar os prazos com fornecedores e parceiros é uma outra dica. Os próprios bancos estão abertos para atender pedidos de prorrogação nos vencimentos dos empréstimos vigentes”, orienta.
Vale também ressaltar que planejamento financeiro pessoal também é pensar no próximo, é tomar decisões de maneira consciente e sustentável. “Estamos vivendo uma vida de excessos, que afeta nossas saúdes, ambientes, relacionamentos e, claro, as finanças! Adquirir somente o que é necessário nos supermercados e farmácias, por exemplo, além de evitar desperdícios, gastos elevados e futuras dívidas, permitem que outros tenham acesso aos produtos básicos para o período de contensão. O pânico surge quando não conseguimos enxergar soluções e alternativas para nossas questões. Ajuda se fizermos a pergunta: ‘o que outra pessoa faria no meu lugar?’. Lembrar que existe um próximo, que pertencemos a um coletivo e somos responsáveis uns pelos outros, ajuda a perceber que não estamos sós e que, juntos, há esperança”, acredita Karoline.

Investimento não é reserva! 
Por conta da recente queda da taxa de juros e recuperação da economia, muitas pessoas migraram suas reservas financeiras da renda fixa para a renda variável em busca de maiores retornos. Com a crise provocada em parte pelo coronavírus, esses ativos tiveram grande queda em seus valores. Quem precisar de dinheiro e tiver que resgatar, além de possivelmente ter perdido os ganhos, poderá ter perda do capital investido. A recomendação agora é não mexer e esperar!
“O conceito de investimento está ligado à aplicação de recursos que produza retornos. Pode ser desde o dinheiro que colocamos em CDBs, títulos públicos e ações, até o carro que eu adquiro para trabalhar nos aplicativos de transportes, ou outro equipamento industrial, por exemplo. Assim, quando as pessoas pensam em investir, a primeira coisa que buscam é o ‘melhor rendimento’. Acontece que em toda boa estratégia de investimentos deve estar prevista a formação da reserva financeira. Uma carteira de investimentos quando bem alocada, seleciona produtos de acordo com os objetivos do investidor e avalia suas necessidades de liquidez, prazo, retorno e perfil de risco. Mesmo que a intenção seja juntar dinheiro para a aposentadoria nos próximos 20 anos, comprar uma casa ou um carro, precisamos considerar os imprevistos e emergências no meio do caminho. Assim, a função da reserva financeira é garantir que não precisaremos mexer em certos investimentos em momentos inoportunos, evitando perdas. Para isso, esse dinheiro deve estar aplicado em produtos financeiros de alta liquidez (disponibilidade imediata) e baixo risco (sem oscilações)”, reitera Karoline Cinti.

Sobre Karoline Cinti
Especialista em Planejamento Financeiro, com certificação CFP®, e Estratégia de Negócios, é Co-Fundadora da consultoria Mentory, empresa com 9 anos de mercado e pioneirismo em Finanças Pessoais e Inovação no Triângulo Mineiro. É membro da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), colaboradora em artigos para portais de notícias ligados a economia e planejamento financeiro pessoal. Possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e é administradora pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia).

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Oleh

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