quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

UMC sedia cirurgia inédita para tratamento de Parkinson em Uberlândia

A unidade Hospitalar do UMC - Uberlândia Medical Center sediou a realização, no último sábado (18/11), de uma cirurgia inédita em Uberlândia e região, voltada para o tratamento de portadores da Doença de Parkinson, com o objetivo de diminuir seus sintomas motores. O procedimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar, liderada pelo neurocirurgião Bruno Burjaili, que trouxe experiências adquiridas na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e também na Universidade da Flórida, local em que mais se realiza esta modalidade de cirurgia no mundo. É formado pela Universidade Federal de Uberlândia e já conduz procedimentos como este em São Paulo e no Espírito Santo.
O procedimento realizado consiste na implantação cerebral de um eletrodo, algo como um fio isolado de pouco mais de 1 milímetro de diâmetro, que possui uma ponta com quatro contatos. “Após a cirurgia, cada contato poderá ser ligado ou desligado, moldando uma espécie de nuvem elétrica no cérebro para estimular a região doente sem interferir com as regiões vizinhas. Assim, conseguimos melhorar os sintomas sem causar efeitos indesejados”, explica o neurocirurgião. A outra extremidade desse eletrodo é conectada a um fio extensor, escondido sob a pele, por trás da orelha, que vai até abaixo da clavícula na região peitoral, onde é implantado um pequeno gerador com bateria.
De acordo com o Dr. Bruno Burjaili, o objetivo principal desta cirurgia é diminuir o tremor e outros sintomas do Parkinson, que afetam de maneira intensa os pacientes. “Quem não tem a doença sempre se lembra do tremor, mas quem a tem sabe que, muitas vezes, também são importantes a lentidão dos movimentos, que chamamos de bradicinesia, e a rigidez. Alguns pacientes também desenvolvem discinesia, isto é, um excesso de movimentos, semelhantes a uma serpente ou a uma dança”, ressalta.
Sobre o passo a passo da cirurgia, o médico explicou que tudo começa com um exame de ressonância nuclear magnética do crânio. “A partir dela, definimos o alvo cerebral, que é milimétrico, e o caminho pelo qual o eletrodo passará, justamente para evitar danificar estruturas mais delicadas do cérebro. Durante a cirurgia, há um novo exame, a tomografia computadorizada, para ajudar a calcular esse caminho. Então, o paciente permanece acordado na maior parte do tempo, pois a sua cooperação é importante para que a precisão seja ainda maior. Graças à anestesia local, não há dor. Conforme o eletrodo é colocado, lentamente, sua profundidade é avaliada por testes, em que a atividade elétrica em ondas de cada camada do cérebro é avaliada por meio de som e imagem, em um aparelho de micro registro. Ao chegar ao destino cerebral, aplicamos uma pequena corrente elétrica na região, e podemos observar a melhora parcial instantânea do paciente, ou seja, o tremor e/ou a rigidez são reduzidos, confirmando que a posição está correta. Apesar de ser longa, os pacientes geralmente levam a experiência tranquilamente, e cooperam bastante”, descreveu Dr. Bruno, ao afirmar que pode durar várias horas.
O paciente que foi operado no último sábado recebeu alta no domingo à noite, ficando cerca de 24 horas internado após a cirurgia. “Em geral, são quatro pequenas cicatrizes, três na cabeça e uma abaixo da clavícula”, detalha o médico. A realização dos estímulos elétricos continua no consultório, por um aparelho que consegue controlar a bateria por ondas que passam pela pele, sem contato direto. “No retorno ao consultório, buscamos aumentar os estímulos elétricos através da bateria, testando qual tipo de contato ou intensidade do estímulo será melhor para o paciente. O objetivo é melhorar a qualidade de vida ao reduzir seus sintomas. É comum conseguirmos, com o neurologista clínico que acompanha o paciente, diminuir a quantidade de medicamentos utilizados”, destacou o neurocirurgião.
Explicou também sobre a questão da bateria do gerador implantado no paciente. “A bateria do gerador dura cerca de três a quatro anos. Ela pode ser trocada em uma cirurgia bem mais simples, que dura alguns minutos, via de regra, apenas com anestesia local e sedação. Envolve apenas a região abaixo da clavícula e não mais a cabeça”, explica. Ainda sobre a bateria, alega que “hoje já existe uma opção recarregável, que dura mais tempo, mas exige que o paciente faça carregamentos uma ou mais vezes por semana. A escolha depende da preferência de cada paciente, diante das orientações da equipe”, acrescenta o neurocirurgião.
A realização deste procedimento, disponível no UMC, depende de uma rígida avaliação da condição do paciente, sendo que um dos critérios é ter no mínimo cinco anos de diagnóstico da doença. O neurocirurgião Bruno Burjaili assinala que “É necessário passar por um protocolo que envolve a Neurologia Clínica, a Neurocirurgia e Neuropsicologia, com ampla participação da família. Aplicamos rigor na seleção e preparação dos pacientes, para que o resultado seja otimizado. É um trabalho em equipe, e todas as áreas envolvidas são fundamentais”.

Para finalizar, o médico explica que esta técnica, apesar de inédita na região, já é consolidada cientificamente há décadas e realizada em grandes centros neurocirúrgicos do mundo. 

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Oleh

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