segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Obras de mulheres que retomaram o sonho de ser artista podem ser vistas gratuitamente


Quando o caminho de um grupo de mulheres se cruzou, o resultado foi muito aprendizado, troca de experiências, amizade, produção em arte e a chance de retomar o sonho de ser artista, adormecido por causa da maternidade, profissão e tantos outros adiamentos que a vida impõe. O resultado de parte desse trabalho pode ser visto na exposição “Cruzamentos”, com 15 obras de 8 artistas, aberta à visitação gratuita na galeria ITV Cultural, até o dia 4 de outubro.
Beth Shimaru, Cíntia Guimarães, Inezita Ribeiro, Lúcia Pic, Maria Amélia Penteado, Renata Oliveira, Sandra Carolino e Vânia Armada mostram, por meio das obras, muito da vivência pessoal e o jeito de enxergar o mundo. Cada uma com seu estilo, seja em forma de fotos, colagens, gravuras, pinturas e tudo que a mente permitir. “A proposta do grupo é reunir pessoas que já têm vivência em arte, mas não sabem como conduzir ou não encontraram um estímulo. Falamos sobre o processo de criação, o que está acontecendo no mundo e como o trabalho delas pode se inserir nisso”, disse Alexandre França, orientador do ateliê de criação em arte da Casa de Ideias, onde as oito mulheres se reúnem todas as quartas-feiras.
O traço delicado das aquarelas da uberabense Beth Shimaru, formando histórias em quadrinhos com vários elementos japoneses, batizadas como “Tsuru”, remete as lembranças da nissei que nunca teve a oportunidade de conhecer a terra dos avós, mas carrega consigo a cultura nipônica. Formada em Letras e prestes a se formar em Artes Visuais, Beth retomou esse caminho quando veio para Uberlândia, há 13 anos. “Eu sempre trabalhei com arte, mas com algumas paradas, porque eu tenho duas filhas e quando elas eram pequenas, dei uma estacionada para me dedicar a elas. Trabalhei com publicidade em Uberaba, porque era o mais próximo das artes que tinha, e agora sou aluna e professora na Casa de Ideias”, afirmou Beth Shimaru.
A uberlandense Cíntia Guimarães fez até doutorado em artes, lecionou para universidade e em escolas, mas a sala de aula deu lugar, há 15 anos, ao trabalho no estúdio fotográfico que montou. “Eu sempre fiz pintura, fiz gravura, colagem, mas queria algo mais rápido e a fotografia me ajudou. Depois de 15 anos, eu voltei a pintar. Foi um recomeço que mexeu muito comigo”, disse Cíntia. Em duas fotos, tiradas de uma série chamada “Coroação”, feita em 2017, ela traz seu olhar sob a festa da Congada de Uberlândia, na época feita por ela pela primeira vez à noite. “Isso tudo tem muito a ver comigo, porque nasci com um problema de coração e minha tia fez uma promessa que, aos 7 anos, eu faria o percurso até a igreja de nossa Senhora da Abadia que meu avô construiu em Monte Alegre de Minas.  Mas a gente continua indo, há 42 anos, pra lá, onde tem a festa. São 130 km”, afirmou a expositora.
A santista Renata Oliveira é formada em prótese dentária, mas atuou pouco nessa área para trabalhar com o que realmente lhe preenche. No mundo artístico, ela faz de um tudo um pouco: restaurações, pinturas, aulas, etc. Desde que se mudou para Uberlândia, para acompanhar a filha que veio fazer faculdade, a arte ficou, por um tempo, estacionada. “Morei em Orlândia (SP) e lá era pauleira, eu trabalhava até de madrugada. Mas em São Paulo, a arte é muito mais valorizada do que aqui em Uberlândia. Por um tempo, virei motorista da minha filha. Mas hoje estou tentando refazer minha vida, tenho poucos alunos, e sei que com arte aqui vai ser difícil. Estou em stand by”, contou Renata. Na ITV Urbanismo, a artista traz um acrílico sobre tela intitulado “Sonhos e Fantasias”, em uma pegada bem surrealista.
A patrocinense Vânia Armada chegou a advogar por 2 anos, foi professora, e bancária concursada por 12 anos. Quando estava à beira de um estresse, vendo todos os colegas adoecendo, ela pediu demissão e jogou uma vida profissional estável para o alto em busca de algo que a preenchesse de verdade. Nas artes, ela não passava de uma pintura em pano de prato ou fraldas, mas se deu de presente, antes dos 60 anos, a possibilidade de fazer o que gosta. “Foi quando conheci a Casa de Ideias em 2014. Vou para as aulas para estudar de verdade”, afirmou Vânia, que leva para a exposição dois trabalhos da série “Refugiados”, feita em 2016, com grafite e terra sobre lonita. “Eu sempre tive uma dor, um vazio, pela preocupação com o outro, o mais frágil, e a arte me fez por isso para fora. Meu trabalho sempre tem terra e fala dos indígenas, dos refugiados, mulheres, negros, homossexuais”, disse.

Serviço: A exposição “Cruzamentos” fica aberta a visitação, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na ITV Cultural, na Avenida Getúlio Vargas, 869, Centro, com entrada e estacionamento gratuito.

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Oleh

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