quarta-feira, 5 de junho de 2019

ONG estuda o Rio Uberabinha e propõe medidas para sua proteção


A Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá), entidade que atua na área ambiental, com sede em Uberlândia, faz nesta quarta-feira, Dia Mundial do Meio Ambiente, um alerta aos gestores públicos para a necessidade urgente de preservação da Bacia do Rio Uberabinha. A ONG, que está realizando um amplo estudo da Bacia, com recursos do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (Fhidro) - aponta a criação de áreas de proteção como estratégicas para a preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade da região.
O presidente da entidade, Gustavo Malacco, explica que são três as áreas consideradas de extrema relevância biológica ao longo da Bacia. A primeira delas, localizada no alto curso do rio, denominada de “Veredas de Uberaba”, visa a proteção de espécies da fauna e da flora em risco de extinção e do grande sistema de nascentes que abastecem o município de Uberlândia. Na transição do alto com o médio curso, tem-se a fazenda Tatu, com seu Cerrado nativo e, no baixo curso, os últimos remanescentes de Mata Atlântica.
“Para as três áreas, estudos recomendam ações conservacionistas de curtíssimo prazo, entre elas a investigação científica e a criação de unidades de conservação”, pontua Malacco, destacando que ambos os biomas possuem alta diversidade biológica e representativa ameaça das ações humanas. “Temos um primeiro diagnóstico, concluído em 2015, que mostra claramente que há várias espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção ao longo da Bacia do Uberabinha”.

Dia de campo
Neste último domingo, 2 de junho, a equipe de comunicação do mais novo estudo da Angá foi a campo colher imagens e depoimentos para um documentário que divulgará os resultados da pesquisa. Entre os dados levantados, uma boa notícia. No levantamento da flora, coordenado pela botânica Paula Hemsing, foi constatado o acréscimo de 39 espécies em relação à primeira pesquisa desenvolvida pela ONG em 2015, no qual foram identificadas um total de 343 diferentes espécies.
Os resultados da botânica mostram a riqueza da biodiversidade da Bacia do Uberabinha, apesar da sua intensa ocupação ao longo dos últimos 50 anos. Em cinco décadas, mais de 70% de sua vegetação nativa desapareceu levando parte significativa de sua fauna. Para os pesquisadores da Bacia, é urgente a preservação dos poucos remanescentes que restaram, não só pelo papel que desempenham no abastecimento de água de Uberlândia, mas também pelo pouco que ainda se sabe sobre as suas espécies, algumas exclusivas.
Às seis horas da manhã, o grupo – acompanhado do fotógrafo Roberto Chacur, da cineasta Nara Sbreebow e da jornalista Betânia Côrtes – chegou à região das cabeceiras do Rio Uberabinha. A primeira área visitada, de rara beleza, é denominada campos de murundus ou covoais, feição formada por montículos, cobertos de arbustos e gramíneas. No período chuvoso, vistos do alto, os covoais assemelham-se a ilhotas cercadas de água que, no resto do ano, alimenta os rios, razão de um dos motivos para a sua preservação.
Ao longo dia, o grupo registrou imagens de vegetais e aves. Há espécies raras na Bacia, algumas altamente ameaçadas, como o bacurau-do-rabo-branco, só encontrado no alto curso do Uberabinha e em mais uma região do país. O cerrado que contornava os campos de murundus deram lugar à silvicultura de pinus e eucaliptos, subsidiados por programas governamentais, nos anos 60, depois abandonados. Na década de 90, as áreas das nascentes e seus covoais foram alisadas por maquinário pesado para o plantio de grãos, entre os quais a soja e o milho. Na mesma época, intensificou-se nos solos hidromórficos, de baixa permeabilidade, a exploração de argila refratária pela mineração.
Para os pesquisadores que trabalham no levantamento de dados da Bacia do Rio Uberabinha, é preciso e possível conciliar a atividade produtiva e as ações de preservação. “Preservar os 27% de remanescentes nativos é urgente, sob o risco de eliminarmos completamente o Cerrado da nossa região e levar a extinção os campos de murunduns, uma feição de enorme fragilidade e grande valor para a manutenção do nível hídrico dos rios. Aqueles que destruímos”, constata o biólogo Gustavo Malacco, “não temos nenhuma tecnologia capaz de reconstruir”.
Além da criação de unidades de conservação para a proteção da fauna e da flora do Rio Uberabinha, o Diagnóstico em andamento prevê, entre outras medidas de conservação, a criação de corredores ecológicos para unir os fragmentos de Cerrado nativo e permitir o deslocamento de animais, a dispersão de sementes e o aumento da cobertura vegetal.

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Oleh

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