segunda-feira, 11 de março de 2019

Período de Adaptação Escolar: momento de crescimento e superação

Esther Guimarães - diretora da Escola da Cidade

Uma escola construtivista é um espaço onde os processos de ensino-aprendizagem se dão de maneira profunda e cuidadosa. Um espaço onde cada criança é acolhida na sua individualidade, ocupando o centro do processo de aprendizagem através da vivência de uma metodologia ativa que objetiva a construção do pensar a partir dos conhecimentos prévios que cada um traz consigo em sua trajetória de vida. Este olhar individualizado para o aluno deve perpassar o cotidiano escolar, e começa com sua chegada à escola. Há 31 anos, a psicopedagoga, Esther Guimarães, fundou uma das poucas escolas construtivistas de Uberlândia, a Escola da Cidade. É ela quem responde, com a propriedade, algumas perguntas sobre o período de adaptação escolar que tanto aflige famílias.

O que é o Período de Adaptação Escolar e o que ele requer?
Esther: São as duas ou três primeiras semanas da criança na escola. Refere-se, especialmente, ao momento em que a criança vai para a escola pela 1ª vez, mas também envolve situações de mudança de escola, retorno de férias, troca de professores. São períodos que requerem atenção especial por parte das famílias e de toda equipe pedagógica para promover acolhimento e amparo.

Quando a criança está indo para a escola pela 1ª vez, o que é importante notar?
Esther: Há uma situação muito comum quando a criança está indo para a escola pela 1ª vez que é a seguinte: muitas crianças parecem se adaptar rapidamente, e após uns 15 dias ou mais é que vão se dar conta do momento de separação e começam a chorar. Em geral, isso deixa os pais muito assustados, desconfiados de que algo ruim está acontecendo na escola. É importante os pais saberem que este é um momento rico para o desenvolvimento da criança, que está crescendo e vai ali, no ambiente escolar, desenvolver novas habilidades, especialmente, de convívio. Na Escola da Cidade, acreditamos que é importante os pais terem liberdade de ir à escola nesse período para perceberem o que está acontecendo, para verem se a criança está bem ou não. É importante percebermos, por exemplo, em quais momentos a criança chora. É normal ela chorar na hora em que os pais vão embora, antes de alimentar, de dormir. Não é normal chorar o tempo todo. E o recomendável é que o tempo da criança na escola vá aumentando gradativamente nesse período de adaptação.

A quais sinais devemos ficar atentos e de que forma todos podem ajudar?
Esther: Quando a criança não está preparada para a adaptação escolar, ela vai apresentar reflexos disso, como insônia, por exemplo, e aí ela vai precisar de mais tempo, ou seja, vai precisar passar menos tempo na escola até se adaptar. A escola pode ajudar criando situações de aconchego, de acolhimento em que a criança vai se sentir bem recebida, respeitada. No 1º momento, é importante respeitar os horários da criança, depois a escola tem um ritmo e a criança vai se adaptar a ele, mas nos primeiros dias a escola precisa se adaptar à criança tanto quanto a criança à escola. Quanto menor a criança, maior a adaptação que a escola tem que fazer a ela.
Já os pais podem ajudar preparando a criança, colocando na mochilinha dela não apenas objetos escolares, mas coragem e confiança. A gente tem que confiar na educação que damos para os nossos filhos. Mesmo os bebês sabem se defender, reclamar, e a gente precisa confiar tanto no ambiente escolar quanto na própria criança, acreditar que darão conta de tolerar a situação de separação, a qual, muitas vezes, é mais difícil para os pais do que para a própria criança.

Curiosidade, medo, desafio, superação: o que é mais importante nesse processo?
Para qualquer ser humano, em toda situação nova, existe a curiosidade, o desafio, mas também o medo. Para a criança na escola existe o desejo de ter o novo, de crescer, se desenvolver, conhecer novos amigos, mas existe o medo da separação, de ter de lidar sozinha com novas situações e de aprender a confiar em pessoas que não são seus pais ou familiares. Isso tudo é importante na medida em que ela enfrenta e vence os desafios. Superar desafios é extremante gratificante e é o que aumenta a segurança e autoestima da criança. A criança muito protegida se sente incapaz de vencer desafios porque sente que os pais não confiam nas possibilidades dela de enfrentamento. Essas são as crianças mais infelizes, com autoestima mais baixa e que realmente têm mais dificuldade de ficar na escola.

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Oleh

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