sábado, 23 de fevereiro de 2019

Indicador Ipea aponta inflação maior para classes mais baixas em janeiro


Impacto nas contas das famílias de menor renda foi de 0,41%. Aumento nos preços de alimentos e transportes contribuiu para o resultado

Famílias de menor poder aquisitivo foram as mais afetadas pela inflação de janeiro. O impacto nas contas desse segmento foi de 0,41%, contra 0,25% das classes mais ricas – ou seja, uma diferença de 0,16 ponto percentual. É o que mostra o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta quinta-feira, 21, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
            O resultado de janeiro deve-se, sobretudo, ao aumento dos preços dos alimentos (0,30%), principalmente cereais (4,4%), frutas (5,5%) e leites e derivados (1,1%), itens que pesam na cesta de consumo das classes mais baixas. O segundo maior vilão foi o preço dos transportes (0,09%), devido aos reajustes das tarifas de ônibus urbano (2,7%), trem (2,7%) e metrô (3%).
            Em contrapartida, a queda de 2,1% no preço dos combustíveis foi o principal fator de alívio inflacionário para as faixas de renda mais alta no mês. Na comparação com janeiro do ano passado, os segmentos de renda mais baixa sofreram aceleração da inflação, enquanto as duas classes de renda mais elevada registraram queda na taxa de aumento dos preços de bens e serviços.
            O indicador de janeiro foi divulgado simultaneamente à seção de Inflação da Carta de Conjuntura, nesta quinta-feira. A seção mostra que a alta de 0,32% do IPCA em janeiro deste ano surpreendeu positivamente, ao ficar abaixo do estimado – resultado de um aumento menos expressivo dos alimentos e da continuidade da queda no preço da gasolina.
            As projeções de aumento da safra superior a 2% e a previsão de melhora no comportamento do câmbio se traduzem em queda nas expectativas de mercado para a inflação para 2019. Apesar do ambiente de maior dinamismo do nível de atividade, o mercado de trabalho deve continuar se recuperando lentamente e contribuir para uma inflação menor que a do ano passado.
            A seção conclui que o cenário de inflação para 2019 não só se mantém favorável, como também começa a sinalizar uma trajetória de preços esperados para o ano ainda mais benigna. Apesar desse cenário positivo, o balanço de riscos da análise do Grupo de Conjuntura do Ipea leva em conta três principais fatores para a alta da inflação neste ano: a possibilidade de piora do cenário econômico mundial, a ocorrência de fenômenos climáticos adversos e as incertezas relacionados à aprovação de reformas econômicas essenciais para a estabilidade da economia brasileira. 

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Oleh

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