quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Estudos do Núcleo de Prevenção e Pesquisa de Câncer em Uberlândia apontam duas abordagens para tratar câncer de mama com mais eficiência


Estudos mostram pior prognóstico se o câncer na mama já avançou para a axila, e não apenas a quantidade de gânglios positivos debaixo do braço; e que o tumor retirado inteiramente, sem deixar raízes na mama melhora o prognóstico.
Os pesquisadores do Núcleo de Prevenção e Pesquisa de Câncer (NUPPEC), com o apoio da equipe multidisciplinar, coordenada pelo oncologista do Hospital do Câncer em Uberlândia, Rogério Araújo desenvolveram duas linhas de estudo para prognóstico e tratamento do câncer de mama com mais eficiência. A primeira linha corresponde à abordagem axilar mínima que poderia levar à perda de fatores prognósticos no câncer de mama e a outra a influência da abordagem cirúrgica em mulheres diagnosticadas com neoplasia mamária.
A respeito da abordagem axilar mínima, Rogério Araújo revela que não é a quantidade de gânglios da axila retirados que define o prognóstico da paciente. “Hoje existe uma técnica chamada Linfonodo Sentinela, que retira apenas um gânglio e determina o prognóstico da paciente. Ou seja, não importa tanto se a mulher tem muitos gânglios debaixo do braço comprometidos pelo câncer da mama. O que realmente importa é se o câncer já avançou ou não para a axila. Se já está na axila, o Linfonodo Sentinela é capaz de informar isso, indicando a necessidade de fazer um tratamento mais agressivo. Se a axila está livre, o tratamento pode ser mais ameno”, explica. Ou seja não há necessidade do retirada de todos os gânglios axilares, basta um para definir o prognóstico.
No segundo estudo, demonstrou-se que o tumor na mama, quando não retirado completamente, compromete a chance de cura. “Se o tumor não for inteiramente removido, a paciente apresentará margem de cirurgia comprometida pela neoplasia e também um pior prognóstico. O ideal é que essa paciente volte ao mastologista e refaça a cirurgia”.
O oncologista Rogério Araújo ainda explica como os estudos colaboram com a classe médica e as pacientes. “As pesquisas orientam os cirurgiões e os mastologistas que as cirurgias precisam ser bem planejadas. A técnica do Linfonodo Sentinela precisa ser implantada e o mastologista precisa retirar o tumor e um pouco de tecido mamário normal ao redor do tumor. Para a paciente, operada com este planejamento, haverá maior chance de cura e menos sequela do tratamento”, enfatiza.
Participaram dos dois estudos, aproximadamente, 1000 pacientes. Os estudos são uma análise dos prontuários das pacientes do Hospital do Câncer que foram tratadas desde 1985.
Os trabalhos foram apresentados de 19 a 23 de outubro do Congresso ESMO 2018 - European Society for Medical Oncology, realizado em Munique, Alemanha. Neste evento, considerado o maior congresso de oncologia da Europa, apenas 18 estudos no Brasil conseguiram aprovação, sendo dois do Núcleo de Prevenção e Pesquisa de Câncer, do Grupo Luta pela Vida, ONG do Hospital do Câncer em Uberlândia. Estes estudos se igualam aos do Inca e a outros grandes centros do Brasil. Estes trabalhos foram aprovados para publicação na Annals of Oncology, o principal periódico científico da ESMO, onde são publicados editoriais, resenhas, artigos originais e cartas relacionadas à oncologia.

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Oleh

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