terça-feira, 28 de agosto de 2018

Carinho e aprendizado: como é ser voluntário no Hospital do Câncer em Uberlândia


O desejo de ser voluntário pode nascer pela necessidade de exercer a cidadania, aprender algo novo, encontrar uma causa, levar alegria e fazer o bem. No mês em que se comemora o Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, o Grupo Luta Pela Vida, ONG do Hospital do Câncer em Uberlândia, que atualmente conta com mais de 500 voluntários, distribuídos em 25 equipes, compartilha a história de Maria Helena Alves Vieira, 60 anos, voluntária na equipe de Acolhimento há 8 anos.
Maria Helena explica que a equipe de Acolhimento foi criada para receber o paciente no início do tratamento. A equipe é composta por 12 membros, que incluem os profissionais do Serviço Social e também os voluntários do Grupo. O objetivo é dar um apoio para o paciente e seus familiares nesses primeiros momentos dentro da instituição de saúde, amenizando os obstáculos do tratamento.

Como Maria Helena se tornou voluntária
Ela conheceu esse universo quando a mãe, Dolorita Elias do Nascimento, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 1973, quando iniciou o tratamento em São Paulo. Depois, tratou-se em Uberaba e deu sequência em Uberlândia. Foram 17 anos de tratamento. Em 1978 Dolorita teve outro diagnóstico: câncer na parte óssea e começou a tratar na pequena casa, primeiro espaço do Hospital do Câncer, local onde acontecia o atendimento aos pacientes com câncer de Uberlândia e região. Quando começava a se recuperar, 9 anos depois, mais um diagnóstico: câncer de útero, tempos depois, de fígado. Entre idas e vidas, e a tantos tratamentos, Dolorita veio a falecer em 1990, aos 66 anos de idade. Sua gratidão por tudo que os médicos e voluntários fizeram por ela foi tão grande, que doou tijolos para a obra da Unidade 1 do Hospital do Câncer.
Em 2007, Maria Helena também precisou dos cuidados do Hospital do Câncer, quando descobriu um câncer no reto. Foram dois anos de tratamentos com muitas sessões de radioterapia, quimioterapia e cirurgia. Com a vivência do tratamento da mãe e a experiência de seu tratamento, Maria Helena conheceu outros pacientes, voluntários e lá dentro fez grandes amigos.
Após terminar o tratamento Maria Helena decidiu se tornar voluntária e tentar retribuir todo carinho e atenção que ela recebeu durante suas experiências no Hospital. “Quando estou no Hospital demonstro todo afeto e carinho pelos pacientes que lá estão, porque nunca vou conseguir retribuir tudo que o Hospital fez por mim e por minha mãe, mas a gratidão é sem fim. Sou grata porque o Hospital também me ajudou, tudo o que minha mãe semeou, eu colhi”, ressalta ela.
Ao falar do trabalho que realiza, Maria Helena se emociona: “Esse trabalho é gratificante, é uma escola. Muitas vezes num aperto de mão, no silêncio de um simples olhar, a gente se comunica e se sente pequenino diante da grandeza e da fortaleza de muitos pacientes. Não apenas recebemos, é uma troca, é amor, é humildade. Nesse tempo de voluntária já recebi folhas de canela para fazer chá, cartões de natal, telefonemas em datas comemorativas. Cartões que quando volto a lê-los, lembro-me bem de quem é pela letra, de pessoas que se foram, mas que vivem em mim”.
A voluntária ressalta que ter acompanhado a mãe durante todo o tratamento e ter passado também pela doença, fez com que ela conhecesse o trabalho realizado pelos voluntários dentro do Hospital, o que fez ela ver a vida com outros olhos. “Mais do que ajudar de alguma maneira o próximo, aprendi que essa vida é passageira e rara, e o câncer não é o fim da vida, para muitas pessoas se torna apenas o começo de uma vida. Faz-nos repensar muitas coisas. Além disso, o segredo se chama aceitação e força para enfrentar o tratamento, sempre colocando tudo à frente Deus. Não questione: por que comigo? Por que eu? Todos nós estamos sujeitos a passar por isso”. Ressalta ela.

Como se tornar um voluntário do Grupo Luta Pela Vida
Para as pessoas que têm vontade de realizar o trabalho voluntário dentro do Hospital do Câncer é preciso seguir alguns passos. O candidato a voluntário deve ir ao Hospital do Câncer, de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 12h e 13h às 16h30, e procurar a secretaria do Núcleo de Voluntários para preencher a ficha de inscrição.
Os interessados devem ter idade acima de 18 anos, não estar em tratamento ou acompanhando pacientes no Hospital do Câncer e devem ter disponibilidade de, no mínimo, quatro horas semanais (de segunda à sexta) para realizar o trabalho. Após esse passo inicial, o candidato deve aguardar o contato do Núcleo de Voluntários para passar por um treinamento e depois começar o trabalho.

Mais informações no Núcleo de Voluntários Grupo Luta Pela Vida pelo telefone: (34) 3291-6153.

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Oleh

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