segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Fumar pode desencadear cerca de 60 doenças diferentes

Um dos hábitos mais nocivos contra a saúde está relacionado ao tabagismo, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde neste ano mostram que 10,8% dos brasileiros são fumantes
De acordo com o pneumologista do Hospital Santa Clara, Dr. Fernando Dirceu Rabelo, ao todo, o cigarro possui 5.315 substâncias, sendo 4.700 maléficos à saúde, além de compostos da folha do tabaco e aditivos industriais. “O cigarro também contém agentes radioativos como o plutônio e metais como o chumbo e arsênio. Estes produtos são altamente cancerígenos e podem trazer problemas renais”, esclarece o médico.
Como explica Dr. Fernando, o processo do fumo envolve uma mistura de reações e substâncias. “Basicamente, o monóxido de carbono se liga às hemácias do sangue e impede o transporte de oxigênio para o corpo”, informa. Ainda de acordo com ele, a nicotina presente no cigarro é a verdadeira causadora da dependência química, pois induz ao prazer e diminui o estresse e a ansiedade.
O indivíduo fumante corre o risco de desenvolver, ao longo da vida, diferentes tipos de doenças. “As substâncias presentes no cigarro podem causar cerca de 60 doenças diferentes, como problemas cardiocirculatórios, cânceres e doenças respiratórias”, comenta o pneumologista. Além disso, este hábito também está ligado à impotência sexual, complicações na gravidez e doenças do aparelho digestivo.
São várias as formas e etapas para que o tratamento contra o tabagismo tenha algum resultado satisfatório. Dr. Fernando aponta que o principal é com o auxílio médico. “É necessário uma avaliação clínica do fumante para primeiramente identificar os sintomas que levem a suspeitas de alguma doença relacionadas ao tabaco. Depois, é indicada uma avaliação histórica relacionada ao tabagismo para entender as características atuais e pregressas do cigarro no paciente”, afirma o médico. Outros passos importantes para combater o fumo envolvem: avaliar o grau de dependência da nicotina no fumante, realizada através de um questionário chamado Teste de Fargerstom (quanto maior o score maior será a dependência), analisar a motivação do indivíduo frente à ideia de cessar o tabagismo e realizar aconselhamentos e tratamentos farmacológicos.
Uma das formas bastante procuradas para parar de fumar é a reposição de nicotina através de outros mecanismos. “No Brasil temos os adesivos dosimetrados de nicotina. Há também as gomas de mascar e spray nasal de nicotina”, esclarece o pneumologista. Medicamentos também podem ser indicados em alguns casos, como o tartarato de vareniclina - um anti-nicotínico que age bloqueando os receptores alfa4-beta 2 no cérebro – e o cloridrato de bupropiona - remédio antidepressivo que melhora a síndrome de abstinência, bloqueando a receptação de dopamina em locais específicos do cérebro. “Estes tratamentos podem feitos de forma isolada ou combinadas, dependendo dos dados relativos ao paciente”, finaliza o médico.

O tabagismo em números segundo dados do pneumologista Dr. Fernando Dirceu Rabelo:
- 260 mil mortes por ano no Brasil;
- 90% dos casos de câncer de pulmão;
- 45% dos casos de infarto agudo do miocárdio em quem tem menos de 65 anos de idade;
- 25% das mortes causadas por doenças coronarianas;
- 85% das mortes causadas por bronquite crônica/enfisema pulmonar;
- 25% das doenças vasculares (tromboses, acidentes vasculares cerebrais, etc);
- 30% das mortes decorrentes de outros tipos de doenças como o câncer de boca, laringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo do útero.


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Oleh

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