quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Toxoplasmose: a culpa não é do gato



Veterinário do Pronto Socorro Veterinário explica porque o felino não é o principal vilão da doença

Falou em gato e gravidez, pode ter certeza que o assunto toxoplasmose vem à tona. Não é de hoje que o gato é tido como o grande vilão da doença.  O animal é de fato um hospedeiro do protozoário causador da toxoplasmose, porém o que muitos não sabem é que ele não é o principal transmissor. Na verdade, as chances de contrair a doença comendo carne mal passada ou frutas e verduras mal higienizadas é muito maior.
O veterinário Daniel Peixoto do Pronto Socorro Veterinário (PSV) explica o motivo pelo qual o gato não é o principal culpado. Segundo ele para que um felino se contamine é preciso que ele se alimente de roedores, répteis, aves ou outros animais que possam estar contaminados. “Pesquisas mostram que apenas 1% de todos os gatos transmitem o toxoplasma. No caso, um animal doente começa a liberar ovinhos nas fezes após 10 dias da contaminação. Essas fezes contaminadas precisam ficar no ambiente pelo menos 48 horas para que esses ovos se tornem infectantes. A partir daí, essas fezes que estão a tempo no ambiente precisam ser ingeridas pelas pessoas através de mãos sujas ou alimentos contaminados. Vale ressaltar que o gato contaminado, por toda sua vida, pode liberar os ovos durante 15 dias apenas”, explicou Daniel Peixoto.
Outra forma de contrair a doença é pela ingestão de qualquer carne crua ou mal passada. E uma pequena parte da transmissão ocorre de mãe para filho durante a gestação. “Então fica claro que o gato não é o vilão da toxoplasmose. A fama de que ele é o principal culpado se deu pela proliferação de informação errada e por alguns profissionais de saúde que passam informações equivocadas”, destacou o veterinário.
Para evitar a doença, as pessoas devem lavar bem as mãos antes de comer e beber e após manipular carnes cruas.  A água ingerida deve ser tratada e filtrada. Não comer carne crua ou mal passada ou qualquer verdura e legumes mal lavados. Evitar ainda comer embutidos manipulados em casa e principalmente sem fiscalização. Para aqueles que tem gato, é importante usar luvas para limpar caixas de areia. Lambidas e mordidas de gatos não transmitem a doença.

Mulheres grávidas não precisam abandonar o gato
O veterinário Daniel Peixoto afirma que é comum receber em sua clínica mulheres grávidas que foram orientadas a desfazer dos seus gatos para evitar que se contaminem. Como já foi explicado o gato não é o principal transmissor da doença. “O principal ponto é saber se essa mulher possui anticorpos de memória ou não para a toxoplasmose. Caso já tenha tido contato com a doença, ela passa a ser protegida e não trará riscos para o feto. Se essa mãe não tiver anticorpos chamados IgG ela corre risco de se contaminar durante a gestação e transmitir ao bebê. Nesse último caso deve-se evitar o contato com fezes de gatos e principalmente evitar se alimentar de carnes mal passadas. Portanto, não há necessidade de se afastar, doar o animal ou abandonar. Basta seguir cuidados simples para evitar fatores de riscos”, disse Daniel Peixoto. O veterinário ressalta que se a mulher tiver pretendendo engravidar ou estiver grávida, o médico certamente irá avaliar o risco de contaminação para si mesma e para o feto. E se tiver convívio com gatos, leve-os para uma consulta com um médico veterinário para que se faça exames que podem descartar qualquer risco de transmissão.  “Jamais abandone seus animais, procure se informar com um ou mais profissionais, ante de qualquer atitude precipitada”, ressaltou o veterinário. Estudos mostram que os casos de toxoplasmose caíram muito nos últimos 30 anos. A diminuição dos casos está relacionada ao consumo de água melhor tratada, consumo de carnes congeladas e a maioria dos gatos se alimentarem de ração, a maioria não sai para caçar e, portanto, não correm risco de se contaminarem. 


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Oleh

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