sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Um século de Samba!

A Secretaria de Cultura, da Prefeitura Municipal de Uberlândia, reverencia o dia 02 de dezembro como celebração do Dia Nacional do Samba. Instituído pelo vereador baiano Luiz Monteiro, em 1940, o dia foi inspirado na data da primeira visita que o cantor Ary Barroso fez à Bahia, um dos berços do samba, se não o primeiro – há 100 anos.
Composto por uma enorme mistura de ritmos e tradições que atravessam a nossa história, o samba nasceu dos antigos batuques trazidos pelos africanos que vieram como escravos para o Brasil. Associado a elementos religiosos, principalmente iorubás, o gênero veio, ao longo do tempo, incorporando elementos de outros tipos de música e dança (como a polca, o maxixe, o lundu e o xote no Rio de Janeiro) e adquirindo ramificações de composição instrumental, de letra e ritmo dos mais variados. 
Segundo o escritor e pesquisador Nei Lopes, uma das possíveis origens da palavra “samba” seria a etnia quioco, na qual samba significa cabriolar, brincar e divertir-se. O samba de roda, por exemplo, determinou a essência do samba tipicamente carioca, isto é, seu caráter coletivo, com versos de improviso e refrões cantados em grupo. Na virada do século XIX para o século XX, o samba foi se afirmando como gênero musical popular dominante nos subúrbios e, depois, nos morros cariocas. O sambista Donga (Joaquim Maria dos Santos) (1890-1974) registrou, em 27 de novembro de 1916, aquele que ficou conhecido como o primeiro samba gravado em fonograma: “Pelo telefone”. 
Inicialmente criminalizado e visto com preconceito por suas origens negras, o samba conquistaria o público de classe média e, mais do que isso, adquiria identidade genuinamente brasileira. A partir de 1930 o gênero ocupou grande espaço na indústria fonográfica e expandiu-se definitivamente no Brasil, além de angariar reconhecimento internacional, seja como clássico (chorinho com Pixinguinha, por exemplo) ou popular – em incontáveis expressões. 
Em Uberlândia, o ex-carnavalesco Mário Antonio da Silva busca fundo na memória um passado em que se pode perceber a migração de sambistas “improvisados” de barzinhos e botecos para formações de duplas e grupos de samba a partir da década de 50, meados do século passado. “Pelo que lembro, o primeiro grupo formado foi o Coisa Nossa, que passou a se chamar Samba K, depois veio o Tempero de Quintal, seguido do grupo Grupo Sensação e do mais recente e mais famoso de todos, que é o grupo Só Pra Contrariar”, informou, lembrando que os sambistas mais antigos de Uberlândia também se reuniam na Casa de Samba “Caba Ropa” para criar suas músicas e batuques.

“Como no resto do país” – continuou ele – “na década de 50, Uberlândia também começava a criar suas escolas de samba e seus próprios sambas-enredos, sendo a primeira a Tabajaras, depois a Princesa Isabel, a Pavão Dourado, a Garotos do Samba e a Mocidade Independente” – enumerou, alinhando-se à elegância e modéstia próprias desse mundo chamado Samba - Seu Mário Antônio da Silva foi, durante 25 anos, presidente da Grêmio Recreativo Acadêmicos do Samba. 

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Oleh

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