segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Livro sobre velhice retrata em fotos e poesias a beleza escondida

A velhice retratada em fotos, crônicas e poesias que revelam as belezas escondidas de idosos institucionalizados. Essa é a essência do livro “Velhice, Imagem, Memória: Representação Poética da Existência”, da doutora em Educação Geni Araújo Costa. A obra foi lançada na terça-feira, 13 de dezembro, na Casa da Cultura.
A elaboração do livro demorou um ano, com 12 visitas as duas instituições escolhidas em Uberlândia, oito intervenções e cerca de 2,8 mil fotos, que depois foram selecionadas e enviadas como sugestões e inspirações para convidados, que contribuíram com suas crônicas, poesias e reflexões. A jornalista Margareth Castro é uma das participantes, com a crônica “Maquina do Tempo” e a poesia “O Tempo e a Rosa”.
Geni Araújo conta que a obra tem três objetivos principais: mostrar a velhice escondida, dar visibilidades à memória e também à beleza oculta. “Com o livro, desmistificamos o que é belo”, disse. As fotos foram feitas pelos fotógrafos Jorge Paul e Rafael Ariza. Geni Araújo diz que foram muitos cliques até chegar ao resultado desejado.
Segundo ela, dois pontos chamaram a atenção neste projeto e o primeiro foi o trabalho dos fotógrafos. “Fizemos várias visitas para encontrar belezas, o que era difícil. Mas, eles encontraram; não o belo retratado dentro dos padrões estéticos, mas um belo de nuances, de detalhes, de olhares, de um todo”, disse. O outro ponto, segundo a autora do livro, foram as exposições das fotos nas instituições. “Em alguns momentos, alguns idosos não se reconheceram e isso está relatado no livro. Eu retratei isso com base no que Sartre diz sobre os ´irrealizáveis´ e a velhice é um deles, pois eu vejo a velhice no outro, mas não em mim”, explicou.
Geni Araújo relata ainda outras situações experimentadas nas instituições, como a de um idoso que não se via em uma foto em que estava sozinho, mas se reconheceu e gostou da foto em que estava em grupo. Outros três idosos acharam tão bonitos os registros que pediram para colocar nas cabeceiras de suas camas.

Experiências
Geni de Araújo sempre trabalhou com idosos e por 17 anos esteve à frente do Programa de Atividades Físicas e Recreativas para a Terceira Idade (Afrid), da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Após se aposentar teve a ideia de trabalhar o idoso de forma diferente. “Decidi ir atrás dos idosos institucionalizados. Eles não têm poder de escolha, de comunicação e de avaliação e executam a sua vida de acordo com o desejo de outro”, disse.
A doutora em Educação é autora de outros livros com visões de trabalhos de avaliação, funcionalidade, declínios e da atividade física como benefício para minimizar as perdas e para potencializar talentos. “Eu queria algo diferente e quando fui até os idosos institucionalizados, a ideia ficou bem delineada”, explica Geni de Araújo, que contou que tem as melhores expectativas para o lançamento. “É a realização de um sonho. Sempre fui acadêmica, pesquisadora e estou fazendo algo diferente do que fiz até então. Isso é bacana, é como se eu tivesse saltado o outro lado do rio. É bom se lançar, ousar, transgredir e acho que até transcender”, enfatizou.

Exposições
Como parte do projeto do livro, foram realizadas três exposições abertas ao público, que cumpriram os três objetivos principais da obra, que é dar visibilidade a velhice escondida. As imagens dos idosos são espontâneas e todas em preto e branco, com o intuito de mostrar a vida como ela realmente é. “As pessoas imaginam que a velhice é sempre muito triste e eu gostaria de  mostrar o inverso. Acham que os idosos das Instituições de Longa Permanência  não conseguem ser felizes ali, mas precisamos ter essa outra perspectiva”, conta Geni de Araújo.

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Oleh

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