terça-feira, 6 de setembro de 2016

Pokémon GO vicia como uma droga ilícita, diz psiquiatra

Basta dar uma volta por alguns locais públicos, como praças, parques e shoppings centers para encontrar pessoas de todas as idades, em especial adolescentes caçando Pokémon, um jogo de realidade aumentada para smartphones que já alcançou  mais de 100 milhões de downloads. O aplicativo chegou ao Brasil neste mês de agosto e já virou febre. Não é de hoje que a internet e as redes sociais têm se tornado desejo e muitas vezes um vício. No caso do Pokémon, o psicólogo Miguel Soares explica que a concentração para pegar Pokémon tem caudado acidentes e muitos usuários, alvos de ladrões. O mais agravante, esclarece, é o tempo que os jogadores ficam nele. “Os pais precisam estabelecer limites. A máquina nunca deve substituir ou interferir nas atividades cotidianas e nem nos relacionamentos interpessoais”.
Miguel explica que o Pokémon exige do jogador ter como alvo a recompensa, o que o obriga estar em estado de alerta o tempo todo. “Quando captura um bicho desses no jogo, a pessoa fica com uma sensação de ‘vida’. Psicologicamente é como se, a todo o momento, a pessoa ficasse condicionada a repetição e ao vício, já que a realidade imaginária proposta dá ao jogador uma série de sensações emocionais que despertam ainda mais o interesse por manter-se em jogo, sendo desafiado”.
O psiquiatra Bruno Caetano disse que o vício em jogos, é similar ao de uma droga ilícita, momentaneamente traz a sensação de bem estar, mas o resultado é preocupante. “Os jogos on-line em geral estão criando uma legião de adolescentes dependentes. Existem crianças e adolescentes que se aventuram em desafios e simulações de guerras de forma intensa, por muitas horas ou até dias seguidos. O sucesso está ligado às horas investidas. Assim como o Pokémon, os desafios requerem pontuações e geram perturbação porque o jogo oferece expansão da realidade em que vivemos. No caso do Pokémon, é um objeto que não encerra. Ele desperta no caçador o desejo de ter mais e mais Pokémon para evoluir, em um processo praticamente infindável. No caso do Pokémon, além do vício, a caçada causa isolamento do jogador e a tendência é desencadear a depressão, a ansiedade, a perda de competências sociais”.

Mas nem tudo está perdido. O psiquiatra ressalta que um hospital no Brasil estava usando o Pokémon para ajudar crianças a saírem do leito para se movimentar. De acordo com Bruno o que precisa haver é a moderação, haja vista que crianças e os adolescentes estão muito mais vulneráveis, o sistema nervoso deles está sendo consolidado e se estabiliza com algum tipo de vício, tem maior chance de perpetuar. “Além da idade, alguns jogos têm características de reforço intermitente e esse é o perigo”, alerta.

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Oleh

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